A espiral da existência é um grande e interminável fluxo

Os seres humanos nascem e começam sua evolução ao longo da grande espiral das consciência, passando do arcaico para o mágico, do mágico para o mítico, do mítico para o racional, desse talvez para o integral e daí possivelmente para os verdadeiros domínios transpessoais. Mas, para cada pessoa que passe do integral para um nível mais elevado, dezenas de outras nascem no nível arcaico.

A espiral da existência é um grande e interminável fluxo, que se estende do corpo à mente, da mente à alma, da alma ao espírito e com milhões e milhões de seres constantemente fluindo através do grande rio, da nascente até o oceano. Nenhma sociedade jamais estará unicamente no nível integral, pois o fluxo é incessante ( mesmo que o centro de gravidade de uma cultura tenha de fato se elevado a um nível superior, como já aconteceu ao longo da história). Mas o maior problema ainda permanece: não se trata de saber como poderemos todos chegar a uma onda integral ou além dela, mas como garantiremos a saúde de toda a espiral, já que bilhões de seres humanos continuam a passar por ela, de um extremo ao outro, anos após ano.

Em outras palavras, grande parte do trabalho a ser feito consiste em tornar as ondas inferiores (básicas) mais saudáveis, mantendo suas próprias características. As grandes reformas não consistem em levar um punhado de pessoas para a segunda ordem, mas como alimentar milhões de famintos que se encontram nas ondas mais básicas; como ajudar os milhões de desabrigados dos níveis mais simples; como ampliar o sistema de saúde para incluir milhões que não o possuem. A visão integral é uma das questões menos urgentes da face da terra. (…)

Entretanto, a vantagem da consciência integral de segunda ordem é que ela pode contribuir para esses problemas inadiáveis. Com sua visão de conjunto, ela pode apresentar soluções mais convincentes. São os nossos corpos governamentais, portanto, que precisam urgentemente de uma abordagem mais integral. São nossas instituições educacionais… nossas práticas econômicas… o sistema público de saúde… as lideranças das nações… Em todos esses casos poderíamos de fato usar uma visão integral para que o mundo fosse um pouco menos caótico.

do livro “Uma teoria de tudo” de Ken Wilber
Editora Cultrix

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